domingo, 30 de outubro de 2011

África do Sul - Outubro/2011 - Planejamento, roteiro e uma pitada das impressões gerais


Pessoas,

a grande viagem da vez foi África do Sul. Inicialmente, pelos safáris e animais, claro. Porém, depois de vasculhar a internet em busca de informações do "como faz", também pelos baixos preços, pelos poucos pontos de milhas exigidos por trecho (20 mil), pela história, pelos africanos, pela exuberância da natureza, pela emoção. Foi incrível!!! Recomendo demais.

Nosso roteiro foi, resumidamente:
- vôo de Brasília/Guarulhos/Joanesburgo, pela Tam e South African Airways, seguido de vôo doméstico de Johannesburg para Hoedspruit, região das reservas onde acontecem os safáris, pela South African Express -  post aqui.
- 3 noites no Tshukudu Game Lodge - post aqui.
- 1 noite no Kambaku Game Lodge;
- vôo de Hoedspurit para Joanesburgo, pela South African Express, e em sequência, de Johannesburg para Port Elizabeth, pela South African Airways. Retiramos o carro e fomos dirigindo até Jeffrey's Bay (início da Rota Jardim/Garden Route);
- 7 noites na Rota Jardim: 2 noites em Jeffreys Bay; 3 noites em Plettenberg Bay; 2 noites em Mossel Bay;
- 6 noites na Cidade do Cabo.
- vôo da Cidade do Cabo/Joanesburgo/Guarulhos/Brasília. Ufa!


Logo os posts específicos de cada parte da viagem estarão disponíveis :)

Quando resolvemos ir, comecei a fuçar na internet sobre viagem para a África do Sul e cheguei a um blog sobre a viagem de um casal que recomendou muito uma agência de São Paulo. Fiquei bem interessada nas tais dicas que a agência dava para os passeios, pois um grande trecho seria de carro e tals. Quando decidimos o que queríamos, pensei (errado) que a agência de viagens pudesse realmente ser necessária, afinal, África, né....puro preconceito! Fiz contato dizendo o que queria e eles mandaram um roteiro. Achei os preços convenientes. Pedi pra reservar. Só que, no período que aguardava as confirmações, talvez 2 dias depois do último contato com a agência, pesquisei pela querida internet os hotéis e preços (pelo www.booking.com, www.tripadvisor.com ou pelo site dos hotéis/aluguel de carro) e fui montando uma planilha dos valores. Sabem qual foi a diferença, para menor?? Pouco menos de R$ 3.000,00.

Oi?

É, pessoas. Reservando diretamente pela internet, nós economizaríamos quase 3 mil pilas. Sendo assim, quando a agência fez novo contato (me informando o que eu já sabia, que não havia disponibilidade num dos lugares em determinadas datas), uns 2 dias depois, por e-mail, informei que não fecharia mais o pacote com eles, sem justificar minha decisão. Sabem o que eles me responderam? Isso:

"Prezada Vanessa,

Gostaria de observar que ninguém tem obrigação de comprar nada conosco, mas vc agiu de forma incorreta tomando a sua decisão após solicitar as reservas. Estamos informando todos os envolvidos no seu roteiro, que são amigos e parceiros nossos, e não bloqueando as suas reservas, mas informando sobre a sua postura, caso pretenda fazer as reservas diretamente.

Somos uma empresa séria e trabalhamos de boa-fé no seu roteiro fornecendo informações e tempo de trabalho. Não há problema algum em solicitar informações e tomar nosso tempo até um certo ponto, mas realmente a sua postura me desagradou bastante e espero que a sua atitude se reflita na sua viagem. Boa sorte e que a África te retribua à altura."

Oi? 

Talvez tenha errado mesmo ao solicitar as reservas e desistir depois. Mas, esse e-mail é surreal!!!! Como não justifiquei a desistência, como eles mandam isso de volta? E se algo grave tivesse acontecido?  De qualquer forma, caguei de medo e nem queria ir mais, porque eu acredito em mau olhado. Dai fui pro bar, bebi o suficiente pra esquecer da ameaça, arrumei uma carranca africana que afasta o mau olhado e fui! Já disse que foi incrível, né?

Não ficamos nos hotéis indicados pela agência, por duas razões: primeiramente porque havia opções mais baratas e de qualidade por perto (e eu disse que queria acomodações baratas, mas, quem se importa, né?) e, depois, porque eu, assim que a ressaca passou, realmente fiquei com medo dos amigos da agência que seriam avisados sobre que tipo de pessoas nós éramos. 

Em compensação, fiz upgrade no carro alugado, para câmbio automático (com a direção inglesa, achei mais adequado não ter que me preocupar com a marcha), e na acomodação do segundo local de safáris, porque não havia disponibilidade na acomodação mais simples na data que queríamos.

No fim das contas, depois dos ajustes, a diferença entre a minha planilha e o pacote da agência atingiu os R$ 3.500,00. Oi? Isso mesmo.

O caso é que a viagem foi tudo de bom! Realmente, a África do Sul é ótima e merece ser visitada! Tem de tudo lá: de regiões de savana propícias aos safáris para observação e contato com a vida selvagem, passando por regiões montanhosas de produção de vinhos e azeites, e também de praias maravilhosas com água azul turquesa. Em resumo: toda a América do Sul tem na África do Sul!















Os safáris são fantásticos e obrigatórios pra quem gosta de animais. Simplesmente obrigatórios. Acho que nunca mais um zoológico será interessante para mim. E arrumei um outro problema nessa vida: terei que dividir meus dias de aposentadoria entre Bruges (até então principal ocupante da parte mais nobre do meu coração no quesito "lugares") e aquela região de reservas de animais sul africanas, especialmente no Tshukudu Game Lodge, onde eu queria morar, quase chorei no dia de ir embora e ainda sonhei com eles umas duas noites depois.

A Rota Jardim (Garden Route) é lindíssima, cheia de diversões emocionantes ou não. 

A Cidade de Cabo é show de bola. Parece o Rio de Janeiro, mas sem as favelas nos morros e as prostitutas no calçadão. Pedintes aparecem de vez em quando, mas aquele tipo de assédio chato ao turista é bem pouco. Nem se compara ao nosso país (quem aí já foi ao Pelourinho sabe bem o que tô falando). 


Também não se compara ao nosso país as estradas perfeitas (sem pedágio!), as ruas limpas. E muito menos a qualidade no trâmite nos aeroportos, bem como as comidas e bebidas servidas pelas companhias aéreas por lá. 


Com relação à infra-estrutura e educação da população em geral, fiquei com a nítida impressão de que eles estão alguns passos a nossa frente. Tudo bem que visitamos basicamente onde turista anda, mas prezo a postura deles em venderem bem o que querem mostrar. No feriado do aniversário de Brasília tentei subir na Torre de TV e desisti: ninguém para dar informação, fila zoneada, não consegui descobrir se pagava e onde teria que fazê-lo e, como se não bastasse, a região absurdamente suja e fedida de mijo. Ah, e o saquinho de pipoca custava R$ 5,00. 

Além disso tudo, os preços são MUITO atrativos. Preço de comida e bebida em restaurantes é absurdamente baixo. Vou falando sobre eles nos posts específicos. 

O atendimento ao turista é muito satisfatório, as atrações são bem estruturadas e bom humor,  educação e sorriso no rosto são constantes (exceto para as aeromoças da South African Airways). Ao saberem que éramos do Brasil, aí que o sorriso se expandia mesmo. Especialmente dos negros, que parecem adorar nosso país. Estendem o assunto e brincam com os nomes dos jogadores de futebol.

Aliás, sobre as raças, segue as impressões gerais, considerando a óbvia existência de exceções. Chamada de Nação Arco-Íris, a realidade é que a África do Sul comporta bem duas cores: a branca e a preta. É clara a diferença/separação entre brancos e negros.  Não apenas pela gritante diferença na cor da pele. A grande maioria ou é muito branco, de cabelos e olhos claros, ou muito negros. Quase não existe moreno, meio termo, e quando aparecem você tem quase certeza que são estrangeiros. 

A língua falada também indica a cor da pele. Os brancos falam inglês com sotaque super britânico, resultado das colonizações inglesa e holandesa. Os negros, quando falam inglês, o fazem com sotaque completamente diferente, que custamos a entender. Se não, e acontece muito, especialmente entre eles, falam algum dos outros 10 idiomas africanos, especialmente o africanner, bem parecido com o holandês/alemão/flamenco. São tão diferentes que  você sabe a cor da pele da pessoa ao conversar com ela pelo telefone. Ainda, os ricos e patrões são brancos. Os pobres e empregados, negros. 

Até as escolas parecem ser separadas. Dos muitos grupos escolares que vimos pela cidade (fazendo aqueles deliciosos passeio de escola, lembram?), a maioria era de crianças só brancas, ou crianças só negras. Raros os casos de grupos mistos. Isso também nos grupos de amigos andando juntos.

Bandeira sul-africana entre 1928 e 1994.

Os 21 anos sem apartheid, que significa "vidas separadas" em africano e oficialmente extinto em 1990, ainda não foram suficientes para romper as barreiras entre as raças e misturar aquele povo todo em prol de uma nova cor. Vi apenas um casal jovem com a moça branca e o rapaz negro na Cidade do Cabo, de mãos dadas, andando pela rua. Lindos, aliás. Infelizmente não consegui fotografar. 


Tenho quase certeza que nunca mais nessa vida teremos a oportunidade de vivenciar tão de perto e de maneira tão clara as marcas de um período de segregação racial de extrema relevância na história mundial. 

Fato é que, depois dessa viagem, o filme Invictus faz muito mais sentido. Antes de pisar na África do Sul, é apenas um filme excelente. Depois de 18 dias de convívio com os sul africanos, você percebe a bela representação que o filme faz daquela nação e se emociona a todo instante. Vira verdadeiramente fã do Nelson Mandela e deseja que, se um dia tiver um filho, que ele seja jogador de rúgbi! Sim, porque você se apaixona pelo rúgbi depois de visitar a África do Sul. 


"Não dá pra ficar se lamentando quando se está ocupado com coisas produtivas." (Nelson Mandela)

Beijocas. Vanessa

sábado, 1 de outubro de 2011

Vôo de Balão em Brasília


Pessoas,

posso dizer que hoje eu realizei um dos meus sonhos: voei de balão! E com direito a amor e amiga. Onde? Em Brasília. Como assim? Calma, eu explico.

A Voe Blue Sky está iniciando seus serviços no centro-oeste, e nossa querida Capital Federal será contemplada com vôos de balão. Recebi a informação por e-mail, pela mala direta da Itakama,  e ainda com a notícia de vôos promocionais até 11 de setembro. Nem pensei. Liguei e reservei. 

Voar de balão era uma vontade antiga de nós dois, que sempre pensávamos nas possibilidades por aí, mas nunca rolava. Uma hora era o preço, a outra era o tempo, a outra eu não sei.

Pois bem. Hoje madrugamos (por causa das condições climáticas, os vôos são sempre bem cedinho ou no fim do dia) e às seis da matina estávamos nos encontrando com as pessoas da Voe Blue Sky. Ainda tivemos a grata surpresa de topar com a Karla que, coincidentemente, também ia voar, tornando tudo ainda mais divertido. Foi ótimo! Éramos 9 voadores e dentre nos, tinha uma garota que não sabia que ia voar de balão! O namorado/marido (?) deu de presente e fez surpresa! Queria só ver as surpresas dos outros anos, porque agora ele tá enrolado para se superar :)

Se vocês estão pensando que chegamos no local da decolagem, no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson, e o balão estava lá montadinho, bem bonito, esqueça essa visão romântica da coisa :) Tinha nada montado ainda e, na verdade, é bem legal assistir ou mesmo ajudar na montagem e ter noção do quão grandioso e trabalhoso (apesar da física aplicada à coisa ser simples) é colocar um balão de pé.








Balão de pé, todos no cesto e se inicia a fantasia. Subimos!


A sensação é deliciosa e, meu deus, mas que cidade linda! E que cerrado ao redor lindo! Tanta natureza nos saudando, um céu estupidamente azul, e, ainda, a leveza de um domingo.

Olhem a sombra do balão nas árvores lá na frente. Já tinham percebido como essa praça em frente ao Buriti é bonita?




Com o vento favorável, saímos do Nilson Nelson e pousamos depois que a cidade acabou, literalmente! Voamos por quase uma hora. 






Nosso percurso no ar.

Por causa do vento, nosso pouso foi com emoção! Podem acreditar. Nada de romance do pouso bonitinho com o cesto fixando a base no chão e parando em pé. Obviamente, fomos muito bem instruídos pelo Lupércio, o piloto, que o pouso seria punk (mas acho que ninguém pensou o quanto...ahahahhaha) e qual a posição a ser mantida. O caso é que o cesto virou de lado e foi roçando no chão de terra alguns metros suficientes para deixar todo mundo imundo e minimamente preocupado. Foi mais ou menos como o pouso do vôo desse link, mas considere muito menos grama (seca de Brasília, né?) e muito mais terra. Com vento. A cena deve ter sido tão hilária que não mais que de repente surgem alguns 5 curiosos da região com cara de espanto, do tipo: que porra é essa? Mas, foi do caralho! Saímos todos gargalhando do cesto, com terra em todos os orifícios faciais e felizes pra cacete!!! O local era sensacional, bem espirituoso....




Pra finalizar, bate papo, risadas, ritual do balonismo e espumante para um brinde! Se deslocar umas fotos dessa parte com a Blue Sky completo a cena. 

A coisa não é barata. Os vôos custam 450 legais por cabeça (nessa semana de promoção está por 500 para duas pessoas). Parece caro, mas a equipe operacional pra tudo dar certo é grande. Para montar e desmontar o balão, custa muita gente, e com força. E essa muita gente acompanha o vôo de carro e nos encontra lá no pouso, onde tem também uma van pra trazer os passageiros de volta.

Foi isso! Maravilhoso, recomendo demais! 

Beijocas. Vanessa

quarta-feira, 13 de abril de 2011

São Luís/MA - Março/2011


Pessoas,

bastou um convite da sogra pra passar o feriado de carnaval em São Luís que a gente foi. Passagem pagável para o período, hotel massa pela Bancorbrás e destino desconhecido. Além da gente ser super fácil, não havia uma razão para dizer não.

No vôo da chegada, a paisagem é parecida com a de Manaus: muitos rios e muito verde. Uma floresta, na verdade. A Floresta Amazônica. Vale a pena pegar a janela. Na poltrona ao lado, um rapaz estranho com livro Moby Dick no colo.

Nos hospedamos no Hotel Luzeiros, na Ponta da Areia. Hotel novo, quarto amplo, com um super café da manhã que servia até espumante, piano bar, spa (caro!!) e academia que parecia decente, mas não consegui averiguar porque fechou no carnaval. Quarto de frente pro mar. Pena que o mar de São Luís é feio.

É feio porque a água é escura. Porque é escura eu não sei. Talvez por causa do imenso porto que tem por lá, acho que o 2º mais fundo do mundo (o outro é na Holanda). Além da água escura, lá no fundão ficam muitos navios cargueiros esperando para atracar. E navio cargueiro também é feio. Eles podem ficar por ali esperando por até 10 dia! Dai o visual não fica muito legal.

Sem problemas quanto à isso. Os ludovicenses são uma simpatia só. E não são desprovidos de beleza como nos alardearam. Vi muita gente bonita trabalhando no hotel, nos restaurantes que fomos, cinemas e afins.

Em São Luís não se tem muitos afazeres, 3 ou 4 dias está de bom tamanho. Imperdível são os Lençóis Maranhenses, que nós não fomos por absoluta falta de planejamento, mas os sogros foram e amaram. Por R$ 260,00 por pessoa, você sai de São Luís num dia cedo, dorme em Lençóis, e volta no dia seguinte a tarde. Tudo incluído, até os passeios!!! A pousada não era chique, mas a sogra disse que bem aceitável pelo preço. Por fora do pacote, o sobrevôo pelos Lençóis é imperdível, e custa R$ 200,00 por pessoa.

Numa corrida de táxi, o motora nos ofereceu um passeio de dia todo pelas praias e municípios da redondeza. Preço? R$ 200,00, para os 4. Ok, vamos nessa.

Foi divertido. O motora não era humorista, mas conversando era como se fosse. Nos levou em São José do Ribamar, cidadezinha fofa do lado, com uma igreja e praça super simpáticas, estátua imensa para boas fotos. Sabiam que São José de Ribamar é padroeiro do Maranhão? Sim, por isso tantos ribamars por lá. E o povo quando compra carro, vai até São José do Ribamar pra batizar a nova aquisição.








Passamos também no município de Raposa, com seus pescadores e suas rendeiras, todos cearenses. Conhecemos a Dona Maria, por conta de uma sombra que tinha na barraca dela. Esperando por lá, a conversa desabrochou e Dona Maria, que estava fazendo uma faixa de cabelo, contou que demora um dia para fazer a faixa, quando a coluna deixa. Se dói, ela tem que deitar e aí leva um dia e meio. Disse que, se pudesse, sairia viajando por aí, mas adora aquele trabalho, aquela terra e os turistas. Quando nos despedimos, ela entristeceu e me deu um abraço. A prosa estava boa. A faixa, linda e colorida, custa R$ 6,00. 


Em Calhau, fomos ver os carros na praia. Literalmente. De tempos em tempos, a maré recua tanto que a areia da praia vira um grande pátio, e os carros estacionam ali. É tão surreal que algumas barracas têm a mesa, cadeira e a garagem do carro. Interessante, esquisito e perigoso.


O Centro Histórico tem um potencial turístico imenso, mas está bem abandonado. Uma pena, de partir o coração. Casarões antigos, azulejos belíssimos, construções bacanas. Tudo acabado. Tudo mofado. com cheiro de mijo. Ironicamente, são tombados pelo patrimônio histórico estadual. Sério: um lugar daqueles arrumado, com bares e restaurantes transados entupiria aquele lugar de turistas e dinheiro. 





A Lagoa da Jansen é um lugar novo e bem bacana, com restaurantes e barzinhos legais. Não conseguimos parar por lá. Quando tentamos estava bem morto, provavelmente por causa do carnaval.

E as comilanças? Maracangalha e Cabana do Sol. Ótimos! Os tradicionais arroz de cuxá (arroz feito com "azedinho" e camarões secos, pedido mais de uma vez em dois restôs diferentes e bem falados) e o guaraná jesus não agradaram :)

O Maracangalha é um dos restaurantes mais bem falados de São Luís, Acho que fora indicado por todas as pessoas que sabiam que íamos. É lindo, com decoração fofa, nordestina, retrô, colorida e aconchegante. Entende? Cadeiras diferentes e combinantes nas mesas. Muitos dos quadros lembravam fortemente o traçado do Romero Brito. Achei meio deselegante...poderia ser menos parecido. Mas deselegante não significa feiura, né? E era tudo lindo :) Atendimento atencioso, preços adequados e comida gostosa.



De interessante, a sobremesa de goiabada com sorvete de tapioca e parmesão. Gente, o parmesão combinou tão bem com o doce e o sorvete. Juro. Por 13 legais.


Abaixo, um prato com camarão grelhado com arroz e farofa, creio, que custou R$ 78,00 e a quantidade era pequena. Não é uma boa pedida, apesar de delicioso. Já o peixe custou R$ 87,00 e servia mais que duas pessoas. Não sei bem qual acompanhamento é de que :( Lembro que quando escolhemos a peixada, olhamos errado e pedimos o prato para 4 pessoas. Os garçom, num exemplo de atendimento ético, fez o pedido com o prato correto (para 2 pessoas) e nos avisou depois. Ponto pra eles. E tem Erdinger, por 16 contos. Ponto pra eles de novo. Mas eu fiquei com um suco de amora, vermelho, lindo e doce (e sem açúcar ou adoçante!). Mais pontos!!!!


O Cabana do Sol é famosa pelas carnes de sol, que não provamos. A decoração não é pomposa como a do Maracangalha, mas o atendimento é tão bom quanto e a comida também. A proposta é ser um lugar mais despretensioso. Os pastéis de entrada com geléia de pimenta (mais açúcar que pimenta) são imperdíveis. Comemos por lá um peixe na brasa fantástico (sem lembranças do nome, mas no site tem o cardápio com preços e tudo mais.) e um camarões gigantes!!!! Quase não bebi cerveja por aqueles dias. Provei todos os sucos de nomes diferentes do cardápio. Bacuri tomei demais.





Pra alegrar a estadia, o circo Tihany, cujo slogan é algo do tipo "Las Vegas está aqui". estava na cidade e, obviamente, convoquei todo mundo. Muito bacana, é circo tipo espetáculo, com shows de mágica, contorcionismo, palhaços, tudo de alto nível. O preço do ingresso é salgadinho e compensa. Não tem tanta pompa como o Cirque du Soleil, mas quase chega lá. 


Foi assim. Não carnavalizamos.

Voltamos na madrugada de terça para quarta. Na poltrona ao lado, o mesmo rapaz estranho com livro Moby Dick no colo. 

Beijocas. Vanessa

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Santiago, Chile - Mendoza, Argentina - Fevereiro/2011 (Post 1)


Pessoas,

mais um post sobre viagem. Dessa vez, a gente mesmo que se divertiu. O destino escolhido foi Mendoza, na Argentina, colada na Cordilheira dos Andes,  por ser a região de maior produção dos vinhos argentinos. 

Com o destino escolhido, a próxima etapa foi ajeitar a ida e a volta, com bilhetes emitidos com milhas (poderia dizer que, talvez, milhas só perde pro google em importância na logística e economia da vida atual). Chegar até Mendoza não é muito simples. Não tem vôos diretos de Brasília e a maior parte das opções por milhas são esquisitas, tendo que pernoitar em Santiago ou Buenos Aires. Daí o Vinicius teve uma grande sacada que deu upgrade na viagem: pousamos em Santiago, pernoitamos, e no dia seguinte fomos pra Mendoza de ônibus.

Por que uma grande sacada que gerou um upgrade? Porque de um lado das cordilheiras está Mendoza, na Argentina. Do outro lado está Santiago, no Chile. Entre as duas cidades, além da imensa cadeia de montanhas, há um estrada de 365 km (segundo o google, aqui) com trechos medonhos rodeada de paisagens exuberantes. Já tínhamos feito o trecho do Chile pra Argentina pelos lagos andinos (imperdível!!!), agora fizemos pelas cordilheiras (também imperdível, mas pelos lagos é mais belo. Registro aqui)

Inicialmente, decidimos ir de carro e emitimos os bilhetes BSB-Santiago-BSB. Com o passar dos dias, o péssimo atendimento via e-mail ou on-line da Econorent e, mais tarde, a descoberta que tínhamos errado na conversão do valor do aluguel do carro de pesos chilenos (com seus milhares de números) para real (sairia quase mil dólares 9 diárias do carro) mudamos tudo: decidimos ir de ônibus (50 reais cada passagem), cancelei a reserva do carro e perdi 4 horas da minha vida no balcão da TAM para voltarmos direto de Mendoza para Brasília (conexando em Santiago e Guarulhos, mas no mesmo dia),  mesmo tendo que voltar um dia antes por causa das disponibilidades de vôos.

Há várias empresas de ônibus que fazem o trajeto Santiago-Mendoza, é um passeio bem comum por lá. Fuçando a abençoada internet, descobri a Andesmar, que vende bilhetes on line, e descobri também que o canal é comprar assentos em ônibus de dois andares, no andar de cima, primeira fileira. Porque assim o mundo fica a seus pés.


Consegui comprar facilmente uns 10 dias antes da viagem. A maioria das pessoas compra lá na rodoviária mesmo, antes de ir. Se não der pra comprar nas primeiras fileiras, você terá que escolher uma lado do ônibus e daí não dizer qual o melhor. Já li sobre o lado direito, já me falaram sobre o esquerdo. Uma coisa é certa: de qualquer lado a paisagem vai te embasbacar.

E assim foi: Brasília - Santiago - SantiagoMendoza - Mendoza - Brasília, de 18 a 26 de fevereiro de 2011.

Separei os posts por etapas, porque é muita coisa! Pra você não se perder:

Post 1 - é esse :)
Post 4 - Mendoza (e posts separados para os restaurantes especiais Azafrán, Anna Bistrô, 1884 e La Bourgogne)

Santiago, Chile - Mendoza, Argentina - Fevereiro/2011 (Post 2)


Santiago

Foi a terceira vez em Santiago (as outras duas estão registradas aqui), e continuo afirmando que a chegada na cidade sobrevoando as cordilheiras já é especial. O visual lá de cima é lindo! Pena que dessa vez estava bem nublado (o mal tempo, aliás, nos acompanhou nessa viagem. Ô azar), o que não rendeu fotos tão boas, mas ainda assim foi empolgante.

Chegamos e pegamos um taxi, por 25 dólares, até o hotel da vez, Ibis. Somos meio resistentes com o Ibis, que tem exatamente a mesma cara em todo lugar, pois achamos que faz parte do turismo um hotel com características locais, pra fazer parte do rol de lembranças daquele lugar. Mas, o Ibis de Santiago é do lado, quase dentro, da Estação Central, de onde partem os ônibus para Mendoza. Para facilitar a logística do dia seguinte, optamos por ele: novíssimo (inaugurado em outubro de 2010), confortável, wi-fi que não funcionou e nenhuma personalidade. Por pouco menos de 100 legais a diária, sem café da manhã (é óbvio que a gente optou por tomar café na rodoviária, ocasião em que você come pastel de manhã sem culpa :P).

Depois do check-in, por volta das 14h, paramos numa lanchonete na entrada da rodoviária para a primeira refeição chilena: empanadas fritas com cerveja chilena, Austral e Kunstmann, no maior estilo seja bem vindo a Santiago.

De lá, seguimos de metrô para Belavista em busca de um lugar pra sentar e comer/beber. Depois de caminhar até a Carniceria e Fiambreria Temuco para bater a foto clássica, que só o Gustavo Schumainous vai entender, sentamos num bar bacana no Pátio Belavista, o Le Fournil e, por ordem do calor, comemos uma salada. A minha acompanhada de outra cerva chilena, a Kross Golden Ale (gostosa, imponente, ruiva, mereceu meu respeito, e depois descobri que andou sendo premiada por aí) e o Vinicius de um pisco sour. Bem vindo ao Chile :)



Depois de uma cochilada daquelas de quem pegou avião em Brasília às 05h40, fomos pra nossa janta com show típico reservada no Bali Hai, indicado por uma amiga e confirmada a indicação por mim através de várias opiniões favoráveis em sites e blogs de turistas que, como eu, se dispõe a registrar as experiências e passar o "como faz" pras pessoas. Agências de viagens estão fadadas à morte.
Pois bem. Fomos de metrô até a estação Escuela Militar e de lá caminhamos uns 3 km até o restaurante. Foi quase o melhor da noite. Andamos por uma área residencial belíssima. Parecia o interior da Holanda. Casas bonitas, jardins fofos, ruas limpas.
Do lado de fora do restô, várias réplicas de moais te lembram que o lugar é típico do Chile. Na entrada, somos recebidos por uma bela moça de saia e fartos seios cobertos por uma espécie de top de côcos, flores no cabelo, que te fazem ter certeza que estás na Polinésia , e que coloca em você um colar de......sei lá...carnaval?

Até nossa mesa, observei a decoração da casa, com as paredes cheias de plantas fakes, estátuas, esculturas... pelas plantas me senti numa floresta, e me lembrou bastante a decoração do RainForest Cafe, em Orlando, que realmente deseja parecer uma floresta. Enfim. Nos 40 dólares estão incluído o show, um drink, uma entrada, prato principal e sobremesa. Tem várias opções interessantes no cardápio. Porém, na vida real, nada funciona. Parece tudo de mentira.

De drinks, escolhi uma caipiroska de morango (falei "sem açúcar", mas não dava porque já estava pronta) e o Vinicius um pisco sour de kiwi. Chegaram bonitinhos, o pisco do Vinicius num recipiente interessantíssimo, mas..... eca! A caipirosca doce de enjoar (é que com os morangos doces que aquele país produz, o açúcar só faz o doce passar do ponto mesmo) e o pisco de kiwi era quase como pasta de dente.

Em seqüencia lógica, pedimos a carta de vinhos. Caralho. Um Casillero del Diabo custava R$ 50,00! Nem em Brasília com imposto de importação custa isso!
Mas a noite pediu uma birita, porque pelo visual do lugar e dos artistas do show tava percebendo que não ia passar de show de calouros ou espetáculo barato dos Estados Unidos comprados pelo SBT, sabe? Estudamos o cardápio e optamos por um Emiliana Syrah Reserva Especial, que custava uns R$ 50,00. Gostoso e ficou ainda melhor quando fui pechinchar por ele em site brasileiro e ele está por R$ 102,96. Não gosto de ser trouxa. 
A comida foi mequetrefe total, com direito a salmão duro e sem gosto, sobremesa sem nenhum sabor. A única lembrança de comida razoável foi do ceviche de salmão que pedi de entrada. Ainda assim podia melhorar muito se, por exemplo, o salmão fosse fresco e não meio cozido/defumado ou velho (?).  

E o show...ahahahha....Começa com uma senhora cantora cantando Chuva de Prata em espanhol. Mesmo que a música seja originalmente espanhola, era breguíssimo! Depois um cantor com músicas italianas, com postura firme, braço direito erguido....muito show de calouros. O som da banda, algumas vezes, era tão agudo que parecia música programada de teclado. Depois entram os dançarinos. E é dança country, gaúcha, de casal. Eles até tiram uns casais pra dançar (nós fomos!) e tals. Outra horas alguns com máscaras de monstros que não sei qual o significado. Dai vem a parte da pouca roupa. A mulherada com barriga de fora e peito nos côcos requebrando pra lá e pra cá, os homens com vestimentas do tipo tarzan/índio fazendo uns tipos de guerreiros.
Saímos antes de o show terminar e pegamos um taxi de volta pro hotel.

No fundo, a gente se divertiu. Mas, com os 40 dólares por cabeça poderíamos ter ido num restaurante decente e sido mais felizes. Talvez o show seja legal pra quem nunca viu algo do tipo. Mas, se você já fez algum cruzeiro na vida, sabe aqueles shows que tem toda noite? É tipo aquilo. Ou algo do tipo show de mulatas no Rio de Janeiro pra turista gringo ver.