segunda-feira, 8 de julho de 2013

Lima - hotel e passeios.

Pessoas,

nossa primeira parada no roteiro do Peru foi Lima. Chegamos numa segunda, por volta de 13hs, e ficamos até quinta, porque na sexta às 07h da matina já pegamos o ônibus para Nasca. Então, foram 3 dias e meio e foi bem suficiente. Se você resolver não dormir depois do almoço, como a gente fazia, em menos tempo dá pra conhecer muita coisa.

Chegamos lá com 2 restaurantes reservados (Astrid Y Gastón e Central), um tour de dia inteiro com a Lima Mentor e só. O resto do tempo estava livre para descobertas e perambulações.

Eu acho que um chip de celular com internet facilita imensamente uma viagem, por conta do google maps e tripadvisor. Não é caro (o meu, 55 soles com 500MB da Movistar) e pode te livrar, por exemplo, de pegar um táxi e enfrentar trânsito ao invés de ir a pé simplesmente porque não tinha noção da distância. Pra mim, é um item quase essencial em viagens.

Em Lima ocorre uma coisa muito engraçada. Parque é qualquer espaço que tenha uma árvore. Se para nós, parques são de um tamanho razoável e dão a idéia de muito verde, para eles qualquer praça meia boca é chamada parque. Tipo o Parque Municipal de Barranco. É, de fato, uma praça.

Lima é cinza. Por essa razão, a cidade é muito mais bonita e atraente a noite. Não esqueça de levar um mini tripé para sua máquina fotográfica :-)

Quando, inevitavelmente passar na frente de uma Starbucks, prove o franppuccino de algarrobina, que é um
fruto do Peru e bem gostoso (creio que chega aqui como alfarroba e é usada como substituto de chocolate. É possível encontrar nas casas de produtos naturais, sem glúten e sem lactose).

Hotel
Ficamos no hotel 3B Barranco's Bed & Breakfast, no bairro Barranco. Reservei pelo booking.com e desde o momento que recebi a confirmação da reserva pelo hotel já percebi que o atendimento seria muito gentil. 

Barranco e Miraflores são os principais bairros de Lima. Restaurantes e muitas das atrações estão por ali. Miraflores é ainda melhor que Barranco. Nosso hotel, apesar de estar em Barranco, era coladinho em Miraflores e nos permitia fazer tudo a pé. Usamos táxi pouquíssima vezes. 

O hotel é novo, nosso quarto era super confortável, com roupas de cama mega macias. O sono era realmente bom. Como era no final do corredor, super silencioso. E, pela mesma razão, a wifi não chegava direito lá. O banheiro era espaçoso, com box de vidro (odeio aquelas cortinas de plástico!), sabonete, shampoo, condicionador bem bacaninhas. Só pecava por não ter secador de cabelo no quarto, mas o que a recepção emprestava era ótimo (por causa do frio, secador de cabelo virou item obrigatório para mim na viagem).

A diária custou $79 e acho que o custo-benefício foi bem bom. O transfer do aeroporto para o hotel custou $23 e pudemos pagar junto com as diárias no cartão de crédito. Do aeroporto ao hotel, uns 40 minutos.

A decoração é fofíssima, com quadros gigantes e coloridos.



O café da manhã foi um dos melhores da viagem, com salada de frutas com aguaymanto (ou physales para nós, caríssimas aqui, super populares por lá), sanduíche de tomate com abacate (que eles comem muito),  misto quente, suco de laranja fresco feito na hora, omelete, pão tostado, geléias, café e, claro, chá de coca que é mesmo uma febre por lá. 




O que fizemos


  • Para um dos dias, contratamos um tour privado de dia inteiro com a agência Lima Mentor (esse aqui). Optamos pelo tour privado porque achei que, pela diferença de preço, o compartilhado não valeria a pena. Este, $130 por pessoa. Aquele, $150. Esses valores incluem tudo, entradas, almoço,  motorista e guia. O carro era bastante confortável. Solicitamos ainda a inclusão do Museu Larco no passeio, e daí foi para $160, por conta das entradas. A ordem foi assim: Pachacamac (sítio arqueológico mais afastado), almoço no Luchitta, Museu Larco, Centro Histórico, Convento de São Francisco e Circuito Mágico das Águas. O tour original começa 11hs e termina 20hs. Como tínhamos o Museu Larco, eu solicitei que começasse às 10hs. Disseram que não era necessário, que passaríamos menos tempo em cada lugar. Eu insisti e disse que só queria a inclusão se começasse mais cedo. Cederam. Eu estava certa. Terminamos o tour umas 20h30 e foi muito corrido! Uma pena. O centro histórico ficou basicamente como passagem, e ele merecia boas horas com boas fotos. Tem cada prédio lindo! Como fazíamos tudo de carro, o trânsito intenso de Lima toma um tempinho. Fiquei pensando se tivéssemos em tour compartilhado. Duvido que terminaríamos a tempo. Foi corrido com a gente, que é rápido, não é tentado por lojinha. Se bem que até eu queria parar na lojinha do Museu Larco. Conclusão: as explicações da guia foram muito boas, mas, se você tiver tempo, faça por conta e divida as atrações em dias diferentes. Táxi é barato, e o guia da Folha Uol ajuda bastante. Fora a internet. O Museu Larco, Centro Histórico, Convento São Francisco e Circuito Mágico das Águas são obrigatórios!  Dá pra fazer esses todos em um dia, se você começar cedo. O Museu Larco abre às 09hs, fica no bairro Pueblo Libre. Vai pra lá, depois pega um táxi para o Centro Histórico, onde também fica o Convento São Francisco (são perto, aí é bater perna por lá). Depois, Parque da Reserva, onde há o Circuito Mágico de Águas, que também fica no centro de Lima. Estando pelo Centro Histórico, iria a pé e fugiria do trânsito. Para o Circuito Mágico de Águas, se quiser boas fotos, convém levar tripé para a máquina. O Pachacamac é muito legal também, mas é mais longe. E, considerando que no centro de Miraflores está localizado o Huaca Pucllana, de fácil acesso e com visitas guiadas incluídas no ingresso de 12 soles, opte pelo Huaca Pucllana se não tiver tempo. Ou mesmo se tiver. Gostamos muito mais do Huaca Pucllana que do Pachacamac. 
Pachacamac: vista de um dos pontos altos. Esse dia "abriu" e vimos o pacífico. 
Pachacamac 

Pachacamac 
Entrada do Museu Larco. Ele é lindo desde de fora.

Peças do Museu Larco

Peças do Museu Larco. Sabe o que tem dentro disso aí? Uma múmia em posição fetal. Tem uma fotografia de raio X mostrando. 
Peça do Museu Larco

Belíssima casa do arcebispo de Lima. No centro histórico.

Plaza Maior, no centro de Lima.

Circuito Mágico das Águas no Parque da Reserva. Quando fomos, a apresentação principal estava em manutenção. Ainda assim valeu muito!

Circuito Mágico das Águas no Parque da Reserva.

Circuito Mágico das Águas no Parque da Reserva.
  • na tarde do dia que chegamos, perambulamos pelo bairro do nosso hotel, o Barranco. Legal, mas longe de impressionar. Passamos pela Ponte dos Suspiros (que hoje em dia não arranca suspiro algum), pela praça da Biblioteca Municipal e da Igreja Santissima Cruz, também chamada de Parque Municipal, chegamos até um belo mirador. Em outro dia, fomos por lá a noite e essa região é bem movimentada, com vários restaurantes, bares. O Museu Pedro de Osma fica em Barranco, não fomos mas queria muito ter ido. Recebemos a dica tarde demais.
Ponte dos Suspiros logo a frente.

Em alguma ruela ali por Barranco.

  • Em Miraflores e San Isidro tem um monte de coisa legal. Lojinhas de artesanato bacanas, galerias de arte, ruas de pedestres, restaurantes. Um dia todinho para passear por lá também. Pode ser tudo a pé. Não deixe de ir ao Huaca Pucllana (muito legal, 12 soles por pessoa e não abre às terças!), ao Parque do Amor, passar pelo shopping Larcomar e perceber como ele é bem escondido e pode passar quase despercebido por quem está na avenida Larcomar, no Bosque das Oliveiras (na verdade, um monte de praças com Oliveiras espalhadas por uma região, mas chamam o conjunto delas de bosque), e, quem sabe, fazer um vôo de parapente sobre o Pacífico. Tente passar na frente da Igreja da Virgem Milagrosa pela noite, quando ela fica muito mais bonita por conta da iluminação.
Calçadão em Miraflores de onde se pode ser os vôos de parapente e considerar fazer um. Custava uns 150 soles por 10 a 15 minutos de vôo, acho.


Relaxando no muro de mosaico do Parque do Amor. O "parque" é uma praça  :-)

Parque do Amor


Huaca Huallamarca

Pegada de pés originais em Huaca Huallamarca

Cachorro de raça rara em Huaca Huallamarca. A temperatura do corpo dele chega a 40º. Toquei. É bem quentinho mesmo.

Huaca Huallamarca. Tem um restaurante com cara boa lá dentro, ali à direita. Viu como é bem no centro da cidade? Tem até uma pista que passa no meio de centro arqueológico!

Huaca Huallamarca

Huaca Huallamarca: metade do local ainda está sendo escavado. Precisamos voltar lá daqui há 20 anos :-)
  • Com tanta fama pela a gastronomia, é um pecado não entrar nos mercados e quintandas e ficar curiando as prateleiras. As de batatas e milhos sempre impressionam! Nós fomos no Mercado de Surquilo (também chamado de Mercado nº 2) atrás de um algo a mais. Tivemos, mas não foi bom. As barracas de frutas e verduras são bem parecidas com as dos supermercados e vendinhas nas ruas. Agora, as de carne, um horror!!! Nada de refrigeração. Galinhas são expostas inteiras, penduradas pelo pescoço e com as vísceras! Eca. O cheiro não é bom, claro. Não recomendo e fica numa parte feia da cidade, num local que parecia um setor de oficinas. Não precisa ir.
Bancada de batatas em algum mercado.
Onde comemos

Para saber sobre os restaurantes que conhecemos, clique aqui (parte 1) e aqui (parte 2).

Beijocas. Vanessa.

Peru - informações e impressões gerais.

Pessoas,

acabamos de chegar de uma viagem de 15 dias ao Peru. A idéia inicial era fazer Lima, Cusco e Machu Picchu, e no início de maio. Pesquisando sobre roteiro e afins, descobri um monte de coisa bacana no Peru e o interesse por outros destinos foi nascendo, de maneira que o roteiro se estendeu à Lima, Nasca, Arequipa, Puno, Cusco, Vale Sagrado e Machu Picchu. Isso porque tive que retirar Ica e Paracas, porque realmente não cabia tudo em 15 dias de maneira minimamente confortável e eficiente.

A viagem do início de maio subiu no telhado (porque eu resolvi me alistar - leia-se, fazer cursinho e estudar seriamente) e aí surgiu uma oportunidade de ir em meados de junho. Resolvemos ir quase perto da partida e ainda em meio a um período atribulado e sem tempo, o que resultou num planejamento rápido e, claro, com falhas. Elegi três blogs (Sundaycooks, Turomaquia e Nós no Mundo) e um site oficial de turismo do Peru (Go 2 Peru) para serem minha base de pesquisa e, através deles, escolhi as agências de turismo onde contrataria tours. 

Contratar tours, logo eu que tenho certo pavor de agências de turismo??? Sim, pessoas! Por duas razões. Primeiro porque tem passeios que fazer por agências é a melhor opção. Segundo, lembram que eu estava sem tempo ao planejar a viagem? Se você não tem tempo, uma das  saída é "terceirizar para não pensar (e, obviamente, pagar por isso)". Ou seria apenas ajustar a quantidade de dias em cada local, reservar hotel e deixar pra ver o resto por lá. Só que, talvez vocês não saibam, um dos meus sobrenomes é precaução. E, indo em alta temporada, eu não teria estabilidade emocional para ir sem tudo reservado e bem ajustado. Certeza que ficaria noites sem dormir. 

Para vocês terem noção do meu grau de perdida ao planejar a viagem, eu solicitei ao hotel de Águas Calientes um transfer da estação de ônibus ao hotel. Quem conhece a cidade está gargalhando de mim. Pode continuar :-) O hotel foi muito gentil e simpático ao responder que a cidade era minúscula e que não havia táxis e carros por lá. Mas que poderia me esperar na estação de ônibus caso eu me sentisse melhor. Recusei e aceitei o mapa com as instruções de como chegar ao hotel.

Volto com a impressão de que tanta precaução não seria necessária, mesmo indo em alta temporada. Claro que hotel e entrada em Machu Picchu têm que ser reservados antes. Pra você saber para onde vai quando chega e para não perder a grande estrela da viagem. Mas os tours, definitivamente, não precisam, a não ser que você queira fazer por uma empresa específica. Todas as cidades que passamos tem o turismo como ponto muito forte da economia, então o que não faltam são agências espalhadas por todos os cantos oferecendo tours, além daqueles ônibus turísticos de dois andares com rotas pelos principais locais.  E talvez nem as passagens de ônibus e trem. Vi muita gente comprando lá na hora. Mas, isso, não arriscaria mesmo, porque ter horários pré definidos é útil em viagens. Além do mais, se lá você perceber que outro horário seria melhor, dá para trocar a passagem, como fizemos com nossa ida de Ollantaytambo até Águas Calientes. Tendo vagas, você consegue trocar facilmente.

Outra coisa: a maioria das agências mais bem faladas e que te respondem os e-mails rápido cobram tudo em dóllar. Nem parece que a moeda oficial do peru é o Nuevo Sol. E exigem pagamento antecipado. Isso de só reservar quase não existe. E o pior de tudo, na minha opinião: usando o Western Union. Eu nunca tinha ouvido falar dessa forma de pagamento. Quando fui atrás, descobri que tem umas taxas, claro,  pagas por quem envia o dinheiro. Além de que, teria que ir até uma agência autorizada para fazer um depósito. Eu não vou ao banco nem para pagar minhas contas. Internet é vida! Desisti de algumas agências por conta disso (vou contar com detalhes nos posts específicos de cada passeio). O mínimo que eu espero de um prestador de serviço é que ele facilite a minha vida. Por que não usam Paypal, que é coisa linda??? 

Nosso roteiro foi: 
  • Brasília - Lima (milhas da TAM)
  • Lima - 4 noites 
  • Nasca - pegamos um ônibus em Lima numa sexta-feira 07h da matina, chegamos em Nasca umas 14h30, fizemos o sobrevôo nas linhas de Nasca, e na noite do mesmo dia partimos para Arequipa de ônibus às 22h, chegando em Arequipa 08h da manhã seguinte
  • Arequipa - 2 noites
  • Tour no Colca Canyon - sai de Arequipa umas 08hs, pernoita em Chivay ou arredores e no dia seguinte termina de volta em Arequipa ou segue para Puno, que foi nossa opção
  • Puno - 2 noites
  • Cusco - 2 noites
  • Ollantaytambo - 1 noite
  • Águas Caliente - 1 noite
  • Cusco - 1 noite
  • Cusco - Lima (trecho comprado pela Taca) e Lima- Brasília (minhas da TAM)
Só usamos avião para chegar e sair do Peru. Lá dentro, apenas ônibus. Recomendo muito! As estradas são boas e os ônibus bastante confortáveis. Servem bebidas, lanches e tem sempre uma pessoa a disposição os passageiros. Os da Cruz del Sur têm travesseiro, coberta decente (dá vontade de furtar!), wifi e todos os ônibus são monitorados por GPS, por questões de segurança. Além de que, há vários trechos entre as  cidades que são feitos por ônibus turísticos com paradas estratégicas. Daí, além de fazer deslocamento,  também se está conhecendo lugares.


Sobre o Peru. É lindo!!! Merece muito uma visita. As pessoas são simpáticas, educadas e prestativas (menos os motoristas de trânsito, que buzinam mais do que bebem Inca Kola - refrigerante mais consumido que a Coca-Cola no país). A COMIDA É MARAVILHOSA E BARATA. Nos sentimos seguros todo o tempo, nas zonas turísticas e bem faladas, claro. Táxi é de graça (convém, inclusive, desconsiderar os transfers dos hotéis, especialmente nas cidades pequenas como Puno, Arequipa, Cusco).  As paisagens são arrebatadoras. A arquitetura nas cidades é belíssima, com influências espanholas. Tem hora que você jura que tá na Europa. Têm catedrais imensas e de tirar o fôlego. Dá pra achar lembranças bacanas por preços irrisórios. Já disse que a comida é maravilhosa? 

Degustação de ceviches no La Mar, em Lima. Fantástico!

Além de disso, os incas eram criaturas impressionantes! Se você entende de arquitetura e engenharia, faça o favor de não deixar de visitar aquelas cidades e templos construídos há séculos e já com arquitetura e engenharia avançadas. Tenho certeza absoluta que vai se encantar.

Uma coisa que me incomodou bastante é a falta de proteção aos monumentos e construções antigas, e também de proteção à vida de quem anda por ali. Com exceção de Machu Picchu, onde há guardas de olho o tempo todo, todas as outras atrações ficam a mercê da boa vontade dos turistas e guias. Não há cordas de proteção para impedir que as pessoas caiam de alturas bem altas, e nem que impeçam o turista de pisar onde não deve. Parte das linhas de Nasca, por exemplo, fica na beira de uma rodovia e de um observatório (opção para quem não quer fazer o vôo), e qualquer pessoa pode ir lá pisar no desenho de árvores e de mãos, como se pode ver no mapa abaixo.

Essa linha preta que cruza os desenhos é a rodovia Panamericana, uma das maiores do país. Praticamente no "topo" do desenho de árvore há um observatório.

O que não é bom? A altitude. Olha, falta ar. Mesmo. Metade da viagem, me sentia como uma velha fumante. Fora o  sorache, o famoso mal das alturas. Mas vale a pena. Na época que fomos, também o frio e a seca. Eu já não reclamava da seca de Brasília, agora que sei o que é seca com frio de verdade, que não reclamo mesmo. Perdi mais sangue pelo nariz do que jamais perdi na vida desde os 12 anos por conta do meu duplo cromossomo X. Mas vale a pena. 

No canion Colca.
Quanto aos vinhos peruanos, nem os premiuns da vida eram bons. Vá de pisco sour (e suas divinas variações), ou fique com os vinhos argentinos e chilenos. Ou com a Inca Kola. Ou com a Cusqueña. E tudo valerá a pena :-)

Piscopolitan. Delícioso, bem menos doce que o tradicional Cosmopolitan. Também no La Mar, em Lima.
Quanto aos restaurantes, sinto dizer que não descobrimos nada de novo nessa viagem. Ficamos completamente reféns do TripAdvisor e tô pensando em continuar assim pelo resto da vida. Ele é muito sabido!!!

Sobre nosso roteiro, deixaria Puno de fora. Não achei que valeu o tempo, o dinheiro e o frio daquela cidade. Eu iria de Arequipa direto para Cusco. Também não ficaria uma noite em Ollantaytambo, como fizemos. Pegaria um tour de dia todo pelo Vale Sagrado começando em Cusco e terminando em Ollantaytambo e, no mesmo dia pela noite, pegaria o trem para Águas Calientes (e apenas esse dia faria com guia privado, ao invés de fazer os 3 dias de tour privado em Cusco e Vale Sagrado). Ah, e se você tiver apenas uns 5 dias sobrando, vá direito para Cusco, passe pelo Vale Sagrado até Ollantaytambo e conheça Machu Picchu. Juro que vale a pena ir lá e conhecer só esse trechinho!

Ah, em Lima comprei um chip da Movistar, que custou 15 soles e, com mais 40 soles, coloquei 500 mega de crédito para 3G. Acho que é um bom valor para ter internet durante a viagem, resolver perrengues e ser feliz buscando dicas e usando o GPS quando necessário. Eu gosto. Duraria a viagem toda, se eu não tivesse esquecido de cancelar o upload automático de fotos do Google +. Ódio mortal de mim mesma.

Sim, eles comem  porquinho-da-índia mesmo, e com frequência, e mastigam folhas de coca. Há tanto por todos os lados que peguei abuso do cheiro.

Entre nos mercados e quitandas. Prove frutas diferentes. Isso faz parte da diversão.

Basicamente, é isso. Vou fazer posts de cada parte da viagem, conforme o roteiro acima, contando as experiências com agências, tours, hóteis e tudo mais. Mas pode ir programando sua ida ao Peru. E legal demais da conta!

No topo da Huayna Picchu, com Machu Picchu ao fundo. Sim, vale a pena o esforço para chegar até lá.

Beijocas. Vanessa.

domingo, 7 de abril de 2013

Bonito/MS - Março/2013


Pessoas,

há alguns meses fizemos uma lista com todos os lugares que temos que ir ainda nesta vida. Tentamos ser enxutos e, mesmo assim, marcamos 8 destinos nacionais e 22 internacionais que ainda não tivemos o prazer de conhecer. Se conseguirmos uma excepcional média de 2 viagens por ano, fecharemos a lista quando estivermos chegando perto dos 50 anos de idade. Nada mal - ainda sobrará tempo e energia para repetir os destinos favoritos.

Na última semana santa (25 a 30/03 de 2013), riscamos um dos destinos nacionais: Bonito, no Mato Grosso do Sul.

Bonito: check.

Programar uma viagem pra Bonito é algo bem diferente de programar uma viagem para uma grande capital. Você não pode simplesmente comprar a passagem, chegar lá e fazer o que bem entender. Em Bonito, todo o turismo fica nas mãos das agências locais - se você não for a uma delas, você não faz passeio algum. Praticamente todos os pontos turísticos só permitem a entrada mediante a apresentação do voucher de alguma operadora. Não dá pra chegar e pagar lá, no guichê, e entrar no rio para ver os peixes.

Como tudo está nas mãos das agências, surgem vantagens e desvantagens. A vantagem é a comodidade: todos os passeios agendados, transporte indo te buscar e levar de um lado pra outro, nenhuma preocupação. A desvantagem é óbvia: os preços vão lááááá pra cima. Bonito é uma viagem bem cara. Ainda bem que compramos as passagens com milhas (Gol, 10.000 cada trecho por pessoa), o que atenuou o custo total.

A agência que utilizamos foi a "Bonito Way" (http://www.bonitoway.com.br/). Os preços são tabelados entre as agências, então isso não pesou na decisão. O que mais contou foi a rapidez e a forma da resposta: a Vanessa mandou e-mail, e eles ligaram pra ela logo após. O atendimento foi bacana e prestativo, então não temos do que reclamar. Merece nossa recomendação. Tivemos, de cortesia, dois dias de aluguel de máquina aquática, essencial para os passeios de flutuação.

Chegando e saindo de lá

Chegar em Bonito dá trabalho. Os voos diretos Brasília-Campo Grande partem em horários terríveis. E o aeroporto de Bonito só recebe aviões nas quintas e domingos, com voos operados pela Azul. Tivemos que fazer o trajeto em 3 partes: voo de Brasília pra Guarulhos; voo de Guarulhos pra Campo Grande; transfer de Campo Grande pra Bonito. Saímos de Brasília às 11h e chegamos em Campo Grande às 14h (ganhamos uma hora com o fuso horário, que lá é diferente). O trajeto de 260 km entre Campo Grande e Bonito foi feito em uma van apertada e pouco confortável. Partimos 15h e chegamos lá aproximadamente às 19h.

O dia da volta foi parecido - pegamos o tranfer, que foi feito em um confortável ônibus, às 07h30. Chegamos ao aeroporto de Campo Grande às 12h, embarcamos às 15h, ficamos um tempo mofando em Guarulhos e chegamos em Brasília às 22h.

Chegar ou sair de Bonito consome um dia inteiro de viagem.

Dormindo

Antes de tudo, vale o comentário: Bonito é o tipo de viagem onde você só precisa de uma boa cama no hotel, pois os passeios são cansativos e tomam o dia inteiro. Ao chegar no hotel, tudo o que se deseja é comer algo e capotar na cama. Então não se preocupe em gastar rios de dinheiro com um hotel chique.

Ficamos na pousada Águas de Bonito (http://www.aguasdebonito.com.br/), que é bem bacana. Pra falar a verdade, ultrapassa as necessidades. Se tivéssemos escolhido um local mais em conta, a viagem teria sido tão boa quanto. 

Pátio central da pousada. À esquerda da foto está o redário, um ótimo lugar pra tirar um cochilo.

O local da pousada não é dos melhores - é servida por uma rua ainda sem asfalto (a rua foi inteiramente asfaltada no final de 2013) e fica a aproximadamente 1 km do centro da cidade. O trajeto é razoavelmente curto, mas o caminho é feio e escuro. Apesar de a cidade ser muito segura, não dá vontade de caminhar por ali. O táxi é tabelado - apesar da curtíssima distância, custa 13 reais. Ou 15 reais, se for depois de 23h. Como eu disse, a cidade é segura. Esse é o único tipo de assalto que você sofrerá.

A pousada tem alguns destaques positivos: o restaurante é muito bom, o que te poupa de ir até a cidade todo dia. Há uma grande área de lazer com piscina, redário, ofurô. Bem confortável.

Outro destaque estava no café da manhã. Além das opções tradicionais de café da manhã, eles serviam um prato chamado quebra-torto, considerado o café da manhã do peão pantaneiro. Coisa pra quem precisa de calorias extras durante o dia: arroz, carne e ovo. 

Quebra-torto. Café da manhã para os fortes.

Além de tudo isso, a pousada servia uma "merenda pantaneira" ao final da tarde, para quem chegasse cedo dos passeios. O destaque, segundo a Vanessa, era a pipoca.

Pipoca na merenda pantaneira.


Comendo

A região oferece muitos pratos feitos de peixe. Também há pratos comuns de carne e frango. A diversão fica por conta do que é exclusivo: carne de jacaré.

Fizemos três jantares no próprio restaurante do hotel. Um dos dias, véspera de sexta-feira santa, o hotel ofertou um buffet variado por R$ 37/pessoa. O destaque foi o "pintado a urucum". Também tinha costelinha de pacu como aperitivo. Nos outros dois dias o serviço era a la carte - Vanessa foi de carne, Vinicius de jacaré.

Jacaré a moda da casa (filé de jacaré grelhado ao molho de alcaparras com arroz e purê de mandioca) por R$ 42,00 o prato individual.

Jacaré a urucum (filé de jacaré à dorê ao molho de urucum, acompanha arroz e batata sautê) por R$ 47,00 o prato individual.

Em outro dia jantamos no Bar Taboa (http://taboa.com.br/bonito.php), que é um bar que produz uma bebida à base de cachaça famosa na região. É uma mistura de cachaça, mel, guaraná em pó, canela e ervas aromáticas. Além da tal cachaça (que é gostosa), pedimos um petisco de....... jacaré.

Petisco de jacaré. R$ 45,00.

Em outro dia jantamos na "Casa do João" (http://www.casadojoao.com.br/). Provavelmente é o restaurante mais famoso e bacana da cidade. O ambiente é bem bonito. Comemos a "Traíra Vestida", para quatro pessoas por R$ 77,22. Não tem foto, mas é a mesma cara das traíras que são vendidas na Vila Planalto.

Voltando ao tema da carne de jacaré, vamos matar a curiosidade de todos: o sabor é bastante "fácil" para nosso paladar. Basicamente é um filé de frango grelhado, só que um pouco mais consistente. Impossível comer e fazer cara feia - o único motivo plausível para reclamar é justamente pelo fato de o prato não ter um sabor surpreendente. Bate uma certa decepção ao descobrir que você acabou de pagar caro em um prato com gosto de frango.


Passeios

Tivemos 4 dias efetivos para conhecer a cidade. Em regra se fazem dois passeios em cada dia, um de manhã e um no período da tarde. Como preenchemos todo o nosso tempo, conseguimos fazer 8 passeios ao todo.

Dia 01 - manhã - Estância Mimosa

Este passeio é uma caminhada pela mata com cinco paradas para banho. O trajeto é razoavelmente pesado, com muitas escadarias de madeira. Em uma das paradas para banho há uma plataforma de salto com 6 metros de altura.


Cachoeiras na Estância Mimosa

Ao final da trilha, almoçamos na própria estância. Buffet de comida regional à vontade. Depois do almoço, ficamos nos divertindo com os jacarés que moram na região. Há um lago cheio deles, com destaque para o obeso jacaré Tommy.

Esse escapou de virar petisco.

Dia 01 - tarde - Bóia Cross no Rio Formoso

Hora de se divertir. É um passeio sobre bóias em um rio com pequenas quedas - uma espécie de "rafting for dummies". Foi bem divertido. Sem fotos, pois estávamos muito ocupados segurando a bóia.....

As quedas são inevitáveis, mas é tudo muito seguro. Os guias são atentos e prestativos. 

Dia 02 - manhã - Gruta do Lago Azul

A gruta do lago azul é um dos highlights de Bonito, com fotos estampadas em todos os panfletos turísticos da tratam da região. O local é bonito mesmo, mas exige um pouco de condicionamento físico. A descida (e a subida) do ponto inicial até o fundo da gruta é feita por uma trilha formada por escadas naturais, de pedra. O trajeto é feito por etapas, com pausas eventuais. Em cada pausa, o guia aproveita para contar a história da região, explicar o motivo de a água ser tão azul e contar piadinhas.

O lago é absolutamente limpo. A água é tão limpa que às vezes nem dá pra perceber que ela existe - você olha e enxerga só o fundo. A melhor época para ver o lago é dezembro-janeiro, pois o sol está em uma posição que os raios conseguem entrar na água. Mas o espetáculo acontece mesmo sem essa incidência direta, como podemos ver na foto que tiramos lá.

Água azul no fundo da gruta.

É um passeio relativamente rápido, mas vale a pena. O visual é impressionante.


Dia 02 - tarde - Flutuação no Rio Sucuri

Junto a gruta do lago azul, as flutuações são o símbolo do turismo em Bonito.  

Fazer uma flutuação é: colocar uma roupa de neoprene para flutuar e não sentir frio; usar um colete para garantir que não vai afundar de jeito nenhum; usar máscara e snorkel; entrar em um rio muito limpo e relaxar vendo os peixes! O deslocamento é feito pela própria correnteza natural do rio, que te carrega lentamente do ponto de inicio ao final do passeio. 

A visibilidade no Rio Sucuri é incrível. Dizem que gira em torno de 20 a 30 metros, e não duvido disso. Dá pra enxergar longe mesmo. A flutuação no Sucuri dura uns 50 minutos e dá pra ver peixes e uma bela vegetação lacustre.







Vanessa flutuando.

Dia 03 - manhã - Buraco das Araras

Bonito plagiou o planalto central e também nomeou sua dolina de Buraco das Araras. Explicação 1: dolina é uma colina ao contrário - um grande buraco no chão. Explicação 2: perto de Brasília há uma outra formação chamada Buraco das Araras, onde dá pra fazer rapel (já fomos lá pela Itakamã e o passeio é realmente bom - http://www.itakama.com.br/buraco_das_araras.htm).

Esse é o passeio mais tranquilo de todos. A trilha é curta é facílima, totalmente plana. A trilha contorna toda a dolina, com duas paradas para fotos. Conseguimos ver várias araras, tanto pousadas quanto paradas. Lá no fundo do buraco, havia dois jacarés tomando banho de sol.

Dia de ver araras.

O passeio do Buraco das Araras é um dos mais fracos que fizemos. É interessante para estrangeiros que nunca viram uma arara solta na natureza, mas só. Bem, não é um passeio decepcionante - mas, se o tempo estiver apertado, dá pra cortar do programa sem muito peso na consciência.

Dia 03 - tarde - Flutuação no Rio da Prata

Mais uma flutuação, dessa vez no Rio da Prata. A água não é tããããão limpa quanto o Rio Sucuri, mas a visibilidade continua impressionante.





  

Vinicius flutuado.

A flutuação do Rio da Prata é muito melhor que a do Rio Sucuri. O tempo total de flutuação é maior (talvez chegue a 2 horas), mas existem algumas pausas, de modo que mal dá pra notar o tempo passar. A temperatura água é mais quente e confortável. Há muito mais peixes. Existe uma corredeira no meio do percurso que adiciona emoção e diversão ao passeio. E, pra completar, no meio do passeio tem um olho d'água gigantesco, chamado de "vulcão".


Vai a Bonito passar apenas 1 dia? Faça a gruta do lago azul pela manhã e a flutuação do Rio da Prata pela tarde.

Dia 04 - manhã - Passeio de bote no Rio Formoso

Esse é um passeio indicado para quem vai à Bonito em grupos grandes, em especial com criança e adolescentes. É um passeio de bote inflável por um rio calmo, mas com 5 pequenas quedas. A parte das quedas dá uma certa emoção, mas passa bem rápido. A principal atividade mesmo é fazer guerra de água com os outros botes. Toda hora os botes ficam lado a lado e começa uma verdadeira guerra, com água voando para todos os lados. Impossível não sair encharcado. Novamente, sem fotos. Estávamos ocupados jogando água nos vizinhos.

Dia 04 - tarde - Balneário Municipal

Para completar nossa viagem, visitamos o Balneário Municipal. É uma verdadeira praia particular, com várias barraquinhas vendendo comida. A atração principal é o braço de rio que passa pelo balneário, onde há uma infinidade de peixes. E lá é permitida (e incentivada) a compra de saquinhos de ração, as quais são jogadas no rio para a alegria dos peixes, que ficam ainda mais empolgados. Como a comida é farta, sempre há vários peixes se aproximando das pessoas que vão tomar banho no rio.

É um programa legal para quem está com criança, pois tem aquele clima de praia. Dá pra tirar um cochilo debaixo das árvores. A maioria das pessoas fica nas barraquinhas, tomando cerveja e comendo iscas de peixe. É um programa que tem um público específico, e no qual nós não nos encaixamos. Em uma viagem com menos tempo, seria o primeiro passeio a ser cortado.

Pessoas nadando no rio, no meio dos peixes.


Resumo da ópera

Uma viagem pra Bonito pode ser feita, com muita qualidade, com 3 dias inteiros por lá. O nosso programa foi bom, exceto pelo quarto dia, que foi dispensável. E 3 dias por lá valem por 20 dias em uma viagem de férias pra uma cidade grande. Meio da natureza, pouca conexão com o mundo exterior e comida regional eliminam o estresse rapidamente. Vale a pena.

Alternativa

A região do ao redor de Brasília oferece ótimos programas bem parecidos. Um turista pode se esbaldar fazendo o circuito Pirenópolis, Chapa dos Veadeiros, Itiquira e Buraco das Araras.


Fazendo amigos

Conhecemos pessoas muito legais por lá. É uma das vantagens de os passeios serem feitos por agências, usando transporte coletivo. Acaba que logo as pessoas da van se conhecem e forma grupos. Nossa turma era formada pelas irmãs Vanessa e Vanine, de SC; Angélica e Luciana, do DF; Alistar, de Londres; e pelo casal que subscreve este blog. A companhia deles tornou a viagem ainda mais bacana. Tomara que a gente se esbarre pelo mundão afora!

Ah, antes que eu me esqueça. A pousada tinha uma gatinha, ainda filhote, branca com manchas negras. Virou nosso bicho de estimação. O nome dela: Flocos.

Flocos, nossa gata de estimação durante as férias.

Inté!

Vinicius.