terça-feira, 21 de setembro de 2010

Bélgica (Westvleteren/Bruges) e Luxemburgo

Da Holanda, nosso próximo destino era Bélgica. Primeiro em  Westvleteren, onde só passaríamos, e depois Bruges, onde passamos duas noites. 

Westvleteren é uma pequenina província no oeste da Bélgica, na região de Flanders, pertinho de Bruges. É conhecida pela famosa cerveja trapistas produzidas na Abadia de Sint Sixtus.


Só? Não, pessoas....a tal cerveja já foi eleita a melhor cerveja do mundo e não é comercializada. E como faz? Simples, tem que ir até lá. Estando lá, você pode ir ao In de Vrede, restaurante da Abadia, e se fartar; no In de Vrede tem uma lojinha, onde é possível comprar 6 unidades da cerveja por pessoa, e taças e coisinha bonitinhas da marca deles; se quiser mesmo comprar mais que 6 unidades, pode ficar de olho na agenda que tem no site da Abadia, na qual eles dizem que diz terá tal cerveja disponível, e quando elas poderão ser reservadas. Daí no dia da reserva você liga, depois de umas 123 tentativas você consegue finalmente ser atendido, e em belga diz que quer reservar  tal tipo de cerveja. E no dia "d" vai buscar. A gente optou pro ir no In de Vrede e trazer apenas 12 preciosas garrafinhas conosco.


A abadia produz  3 tipos de cerveja: a blonde, e duas escuras, chamadas de número 8 e número 12. Provamos todas; nos apaixonamos pela 8. Tanto que nem lembrei de tirar foto da 8. Fiquei num estado de transe.


A blonde é bem bacana, mas depois da De Garre (chegaremos nessa, nesse post, mais abaixo) ela perdeu um pouco o encanto. A 12 é obviamente muito boa, mas não percebi nenhum diferencial em relação às demais super escuras já provadas. Agora, a 8.... nunca provei nada igual. A bichana é avermelhada e capaz de provocar sensações tão diversas no paladar que nem sei explicar. Ela arde um pouco, pinica outro pouco, é amarga, mas também doce, tem presença e deixa memória.

O Thyago, amigo cervejeiro que primeiramente nos falou sobre a Abadia de Sint Sixtus, merecidamente ganhou de presente uma garrafinha da 8 e eis a descrição dele:




"O que dizer desta que é considerada por muitos a melhor cerveja do mundo? Posso garantir que tudo que dizem é pouco diante da perfeição dessa breja. Do começo ao fim, ela encanta. A aura de mistério que a circunda não é sem razão. Começa pela garrafa, rústica, frugal, sem rótulo - os monges têm muito a nos ensinar... Despejada no copo, mostra sua beleza (coloração maravilhosa, escura, com creme claro, denso e persistente) e seus aromas - de uma complexidade muito grande, mas ao mesmo tempo de um equilíbrio inacreditável. No paladar, comprova toda sua fama. Simplesmente não é possível descrever todos os sabores que se sucedem. Eu poderia tentar listar - malte, frutado, cravo, especiarias, lúpulo e floral, café, madeira, chocolate, etc. etc. etc. etc... - mas não conseguiria descrevê-la por completo. A textura é incomparável. Apenas experimentando é que se tem a real noção do que essa cerveja é. Mesmo depois de engolida, as sensações deliciosas continuam se sucedendo. Simplesmente inacreditável! Não sei se é "a melhor cerveja do mundo", mas sem dúvida nenhuma é a melhor que já provei."



Comemos por lá. Novamente o Vinicius usou a técnica de apontar no cardápio e pedir qualquer coisa e veio essa coisa estranha: uma gelatina com pedaço de frango dentro. Era ruim....


Dica: o bar não abre na sexta-feira. É dia de rezar e agradecer por poderem beber a 8 todos os outros dias, gente!!!!

De lá, partimos pra Bruges, sempre muito bem orientados por Maria, a senhora portuguesa que nos guiava através do GPS. 

estradinha entre Westvleteren e Bruges

Nossa segunda vez em Bruges parece que foi ainda melhor que a primeira, que vc pode ver aqui.  Chegar sabendo o que vai encontrar, ir logo em busca das preferências deixa tudo mais agradável. Apreciar novamente aquela arquitetura tão peculiar, as ruelas, os canais, as pessoas me deixaram ainda mais apaixonada pela cidade. Bruges entrou no roteiro por causa do Cactus Festival, que teve a Regina Spektor. Na verdade mesmo, descobri que a Regina se apresentaria ali, e esse foi o gatilho pra todo o roteiro :) O show, completamente inesperado, já foi relatado aqui.


Sobre o Cactus Festival, tudo perfeito, né? Mega organizado, horários cumpridos, banheiros limpíssimo (era pago, justificado por ter uma pessoa que entrava no box antes de você para verificar se estava tudo certo pra você usar) pessoas tranqüilas e de todas as idades! Mesmo. Cada qual com suas atribuições. As pessoas maiores bebiam, fumavam e assistiam aos shows. As de pouca idade recolhiam os copos e garrafas de plástico e trocava cada um por 10 centavos de euro. Era cheio de criança pra lá e pra cá recolhendo os descartáveis, deixando tudo limpinho e fazendo a mesada do mês.  Exemplo de educação infantil sem hipocrisia.

Em Bruges, deixamos o carro no estacionamento da estação de trem (muito barato, menos de 3 euros por dia). Ficamos hospedados no In Bruges Bed & Breakfast, hotel do Vicent, que foi quem nos recebeu muito bem no ano anterior, quando estivemos no Passage, e dessa vez não foi diferente: o cara é de uma simpatia e gentileza cativante, fala um pouco de português e ama o Brasil. Por 89 euros, ficamos num quarto supimpa chamado Chill Out Lounge, com uma criativa decoração, que é possível alterar (esses quadrados são removíveis e fixam na parede com velcro, dai você pode mudar a disposição), e um super café da manhã servido no quarto, na hora que quiséssemos. Quando chegamos, uma das paredes estava assim:


Quando saimos, a deixamos assim:


Espiem o café da manhã e a bela mesinha na ante-sala:

Esse cartaz é real. Existe um filme filmado por lá, em português chama-se "Na mira do chefe"


Logo partimos em busca do Staminée de Garre, dica descoberta no www.brejas.com.br. O Staminée é um pub minúsculo e bizarro localizado no final de um estreito beco de Bruges. Só chega lá quem já sabe da existência dele, e ainda assim dá medo de cruzar aquela porta feia  e andar por um corredor de época medieval que parece que vai dar em nada. Nunca vai acontecer de alguém passar por lá e dizer "bóra sentar".  Fica na rua Breidelstraat, entre a praça do Markt e a prefeitura, o Burg. A entrada do beco é bem em frente a placa de madeira na rua aí na foto, que, lógico, não indicava o Staminée.



Então, lá também se produz uma cerveja, chamada de Tripel de Garre. Essa não é comercializada nem para uso pessoal, como a de Westvleteren. Mas também não tem o título de trapista. Whatever. Só pode ser consumida lá, e diz a lenda que apenas em até 3 quantidades. E foi essa bendita que tirou o posto de melhor do mundo da blond de westvleteren. A de Garre é encorpada, parece um milk shake. Tem presença, desce pesada, porém macia, e te conquista porque não é enjoativa. Como já havia dito milhares de vezes, Bruges é o paraíso na terra. Aliás, ali é terra?


Estando por lá, aproveitamos para provar as outras trapistas que faltavam: Orval, Achel e Chimay. A Orval é ruim. Florida demais, aberta demais. Sensação de tá comendo um ramalhete. Mas é uma trapista, tem posto, e por isso a foto.


A Achel e Chimay, depois da de Garre, que amamos, e da Orval, que odiamos, não conseguiram se fazer presentes. A única coisa que lembro sobre elas é que não desagradou, o que já é positivo :) 




Nessa visita á Bruges, alugamos biciletas, cruzamos fronteira, e fomos à praia! Foi um passeio super legal. Fizemos Bruges, Damme, Sluis (Holanda), Zwin e Knokke. 



Cruzamos com essa figura, de Damme, pilotando essa bicicleta.

Foram 2 horas de passeio por um caminho lindo, ora ladeado por canal, ora por uma reserva de aves. Knokke, ponto final, é um balneário chique pra caramba, com gente podre de rica e carros inacreditáveis. De loja barata lá, só vi a Lacoste. Pra voltar, colocamos as bikes no trem e voltamos bem sentados e confortáveis. Nesse dia, percebi que não sou mais uma atleta (eu era, corria 10km).

Já em Bruges, mais descansados, pedalamos um pouco mais, fotografamos e eu comecei a ter certeza de que quero passar uns 20 dias de férias por lá. Pra poder enjoar de tanta vista bonita e tanta cerveja boa e barata. 




 Luxemburgo





De Bruges, rumamos para Luxemburgo. Chegamos por volta de meio-dia e fomos embora no dia seguinte cedo. Foi o suficiente.



Ficamos hospedados no Carlton Hotel. Hotel bem legal, bonito, quarto ótimo, elevador e um café da manhã show de bola! Por 85 euros a diária, com recepcionista simpático, uma pechincha. A parte ruim é a localização. Fica fora da parte turística da cidade, numa região meio feia. Por causa disso,  decidimos não sair a noite. Era dia de jogo da Copa e não tinha um lugar descente pra gente assistir o jogo. Daí, optamos por comprar delícias no Mc Donalds, ver o jogo em "casa" e dormir cedo. Foi uma excelente escolha. Viagem cansa.

Aliás, em Luxemburgo reinou o fast food, que era o que tinha eprto do hotel. Logo que chegamos descobrimos o Quick, uma rede concorrente do McDonalds, tipo Giraffas. Bem gostoso; a salada que acompanhava o lanche merecia respeito: folhas novas, vivas e molho delicioso. No McDonals, descobri o McShrimp, e aí a coisa ficou feia. Era só o que eu queria. Um hamburguer de camarão, com gosto de camarão!!!! Uma delícia, com molho de limão....meu deus.



A parte bonita de Luxemburgo é bem bonita. Limpa, bem construída. O turista é super bem recebido e é comum achar jovens com roupas coloridas de ajudante tirando dúvidas,  indicando passeios e distribuindo mapas. 

O turismo de  Luxemburgo rola em torno de um belo vale onde há fortes, muralhas e defesas naturais formadas pelo rochedo. 

O mais legal são as galerias subterrâneas, chamadas de casemates, verdadeiras cidadelas construídas dentro da rocha, com passagens secretas e e tals. Coisa de filme. Custa 3 euros para entrar e é obrigatório.



De lá, sob um sol escaldante, fomos perambular na região do poder. Passamos pelo palácio dos Grandes Duques, e descobrimos que naquele dia ia ter troca da guarda em frente ao Palácio Real, evento que ocorre apenas 3 vezes por ano. E, bem na praça onde teria a troca da guarda, tinha uns barzinhos bem charmosos. Com lugar vago. Na sombra. Naquele calor insuportável, há tempo só pensávamos numa cerveja. Em homenagem à troca da guarda, tomamos uma cerveja local, a Bofferding. Nada demais, tipo uma skol :)


Dali, fomos pro nosso passeio num ônibus com estilo de trem pelo vale. Sentados, com a brisa batendo...foi ótimo. Essa parte toda é de uma beleza incrível. 








No vale tem muito gramado e era bem comuns pessoas tirando um cochilo na sombra de uma árvore, casais namorando, lugares propícios para um piquinique, crianças com cachorros...uma beleza.

Próximo: Wurzburg

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